terça-feira, 12 de agosto de 2008

Sobre nuvens em cartas de amor...




Ao contrário das serras, dos mares e dos lugares as nuvens não tem nomes...a não ser os nomes pelos quais os astrônomos, seres magníficos e brilhantes as classificam: nimbus, cirrus, cumulus, stratus...e seus derivados, que não lembro agora...
Quando deito na grama e fico alí a imaginar figuras...cavalos marinhos e ogros em seus contornos...aponto para o céu com o dedo e vou traçando suas linhas...muitas delas passam a ter nomes próprios...Rosaura, Violeta, Clarissa...e neste meio tempo Violeta rapidamente se transforma em um homem barbado ao sabor do vento!...
As nuvens levam nossos sonhos para perto dos deuses... e, quando menina, eu deitava na grama, ou no telhado da velha casa de minha vó...e ficava lá horas... entre o telhado e a ameixeira de frutas doces e amarelinhas...(alimento das horas em que passava sonhando)... imaginava isso... fazia os pedidos, os enviava às nuvens e ficava observado o vento as levarem para longe...devagarinho..outras bem mais rápido...atropeladas...faceiras, ligeiras....
Quando elas se transformavam em cavalos alados ou pássaros gigantescos eu sabia que o desejo se tornaria real em beve...mas quando se transformavam em algo assustador, algo indefinido aos meus olhos infantis...( e quando o vento era forte isso acontecia num piscar de olhos!)..eu sabia que era melhor parar de sonhar..pegar o sonho de volta e guardá-lo na minha caixinha de sonhos...ou esperar outra nuvem chegar para enviá-lo novamente ao céu...senão eu poderia perdê-lo para sempre...Meus sonhos seriam roubados!
Muitas vezes eu imagina nuvens coloridas..olhava para o céu e via dezenas, centenas, milhares, milhões de nuvens coloridas e extremamentemente translúcidas...e a tal ponto o eram, que a intensidade da luz solar quase não era afetada...a luz trespassava as nuvens e inundava a terra pintando-a com as suas cores...e então, tudo ficava manchado..e tudo ficava vermelho, se as nuvens fossem vermelhas... ficava azul.. verde..ou ficava noutra cor qualquer...e quando as nuvens eram de cores variadas havia nuances de cor..degrades..e depois havia também as nuvens riscadas e as com bolinhas..mas essas, essas eram sinal de trovoada...
Eram sonhos infantis...de um tempo em que eu achava que o mundo era eterno e que o tempo não passava nunca...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Mulher de fases...



Tenho fases, como a lua... Fases de andar escondida, fases de vir para a rua...Perdição da minha vida!...Perdição da vida minha!...Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha... Fases que vão e que vêm, no secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso... E roda a melancolia seu interminável fuso!... Não me encontro com ninguém (tenho fases, como a lua...)No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu...Cecília Meirelles...in Lua Adversa...
"Sigo palavras e busco estrelas..."